Pragas e doenças no mês de Junho em frutícolas e hortícolas. Proteja as suas culturas!

As últimas semanas têm vindo húmidas e com temperaturas amenas, condições climáticas propícias ao aparecimento de pragas e doenças. Pela oportunidade e utilidade, transcrevemos adaptação do aviso agrícola n.º 7 emitido pela Secretaria Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Madeira.


Para aceder ao aviso na íntegra siga a ligação: aviso_agricola_7_DICAs.pdf (madeira.gov.pt)


FRUTEIRAS e HORTÍCOLAS AFÍDEOS E OÍDIO

As condições climáticas que têm vindo a ocorrer em 2021 têm sido normais. No entanto, a humidade relativa elevada e temperaturas amenas das últimas semanas têm favorecido o aparecimento de algumas pragas e doenças, nomeadamente os afídeos (piolhos) e o oídio (cinzeiro). Os afídeos, insetos picadores-sugadores, têm atacado com alguma intensidade culturas frutícolas (cerejeiras, ameixeiras, macieiras, citrinos, entre outras) e, obviamente, também as culturas hortícolas. Esta praga, além de sugar a seiva das plantas, também “encarquilha”/deforma as folhas, atrofiando-as, devido à toxina que injetam ao se alimentarem, comprometendo o potencial produtivo deste e do ano seguinte


Fig.1. Afídeos em citrinos. Fonte: Syngenta


Relativamente ao oídio, tem se verificado o aparecimento em hortícolas, frutícolas e vinha. Assim sendo, alertamos os agricultores para efetuarem monitorizações às suas culturas e efetuar tratamentos preventivos. Quando a doença ou a praga já está instalada, devem efetuar os tratamentos curativos com os produtos homologados para as respetivas culturas.


Fig.2. Oídio em aboboreira


TOMATE TRAÇA DO TOMATEIRO – Tuta absoluta Povolny

A tuta absoluta Povolny tem sido observada nas armadilhas de captura da nossa rede de Postos de Observação Biológica (POBs). Foram observados estragos na folhagem de tomateiros em estufa e existem outros produtores de tomate com níveis de infestação elevados na sua exploração. O tomateiro é uma das culturas que mais sofre com doenças e pragas. Uma delas é a traça-do-tomateiro (tuta absoluta).

A tuta absoluta Povolny é um lepidóptero que pode apresentar entre 9 e 12 gerações anuais. Tem hábitos de voo crepusculares (fim do dia, princípio da noite) e durante o dia permanece escondida na folhagem. Com uma ligeira agitação da folhagem pode-se detetar o inseto.


Fig.3. Tuta absoluta na fase borboleta. Fonte Wikipedia


Na fase larvar, a praga origina minas (galerias) nas folhas, das quais se alimenta. Com o avanço do ataque, todas as folhas do tomateiro são destruídas, o que provoca forte impacto na fotossíntese da planta, tornando também os frutos impróprios para comercialização. As borboletas são a fase adulta da praga e vivem cerca de sete dias. Depositam os ovos nos frutos, nas flores, nas folhas e nas hastes do tomateiro.


Após cinco dias da postura, eclodem as larvas, que penetram em várias partes do tomateiro.

Manter a vigilância e providenciar as medidas necessárias, tanto em tomate de estufa, como de ar livre.




Fig.4. Tuta absoluta na fase larvar em folha de tomateiro. Fonte Ephytia




Coloque as armadilhas para monitorização da praga duas semanas antes do transplante dos tomateiros e proceda à contagem das borboletas capturadas 3 vezes por semana. Se houver capturas, fique atento às novas plantas, de modo a detetar ataques precoces e tomar medidas diretas de combate à praga o mais cedo possível.













Fig.5. Armadilha de monitorização da tuta absoluta na fase borboleta


Medidas culturais preventivas

Pratique a rotação de culturas com plantas não hospedeiras de tuta (alface, pepino, feijão verde, etc.);


• Prepare cuidadosamente as parcelas de terreno destinadas à cultura do tomateiro. Em estufas, desinfete toda a estrutura, verifique e conserte a cobertura, isolando possíveis entradas das borboletas;


• Destrua sistematicamente todos os restos de cultura, pois podem conter ovos, larvas e pupas de tuta, para que não possam dar origem a novas infestações;


• Elimine as infestantes hospedeiras da tuta na cultura e nas suas proximidades (figueira do inferno, erva moira).


• Elimine as primeiras folhas com galerias (minas) de tuta.


• Todas as aberturas das estufas devem ser protegidas com rede fina. A entrada principal deve ter duplas portas, que impeçam ou dificultem a entrada das borboletas de Tuta.


• Coloque a armadilha para monitorização da praga duas semanas antes do transplante dos tomateiros e proceda à contagem das borboletas capturadas 3 vezes por semana. Se houver capturas, vigie atentamente as novas plantas, de modo a detetar ataques precoces e a tomar medidas diretas de combate à praga o mais cedo possível.


• No controle cultural, o produtor de tomate deverá destruir os restos culturais infestados pela praga, o que irá interromper o ciclo biológico. Este é um dos mais eficientes métodos de controle da traça-do-tomateiro, sem o uso de produtos fitofarmacêuticos.


Luta biotécnica

Recorrer ao uso da captura em massa, utilizando armadilhas de água com feromona e detergente. As armadilhas deverão ser colocadas a 40 cm do solo e à razão de 20 a 40 armadilhas por hectare. A água deverá ser renovada frequentemente e a feromona substituída ao fim de 60 dias, ou antes, caso esteja colocada ao ar livre sob condições atmosféricas adversas.


















Fig.5. Armadilha de captura em massa da tuta absoluta na fase borboleta. Fonte: Horticularidades


Luta biológica

O recurso ao uso de auxiliares é uma prática cada vez mais recorrente com largos benefícios ambientais e também do ponto de vista da biologia da praga, uma vez que diminui o risco de desenvolvimento de resistências e de uma forma natural pode exterminar a praga. Exemplos de alguns auxiliares: Mirídeos, Crisopas, Macrolophus caliginosus, Nesidiocoris tenuis e/ou tricogramas


Medidas Culturais Preventivas

O Trichogramma pretiosum, capaz de exterminar cerca de 60% dos ovos da traça-do-tomateiro, uma mini vespa que parasita e se alimenta dos ovos da traça, interrompendo o seu ciclo e garantindo que não nasçam novas traças. Ele pode ser associado a outras métodos, como a aplicações do inseticida biológico Bacillus Thuringiensis. O Bacillus thuringiensis, conjugando as subespécies kurstaki e aizawai, tem revelado ser eficaz em todas as fases. Na fase larvar precoce a eficácia é ligeiramente superior. Outro poderoso predador da traça-dotomateiro é a Chrysoperla externa, que extermina tanto os ovos como as larvas. Para maximizar a ação dos inimigos naturais da traça-do-tomateiro, o uso de inseticidas associados ao controle biológico não é recomendado, pois pode exterminar os próprios predadores da praga. O óleo de Neem pode ser utilizado para o controle desta praga, quer na produção de tomate biológico, quer na de proteção integrada. O óleo de Neen, além de controlar a traça-do-tomateiro (tuta absoluta), é eficaz no controlo da brocapequena (Neoleucinodeselegantalis) e da broca gigante (Helicoverpa zea).


Luta química

O controle químico é um dos métodos mais utilizados para combater a traça-do-tomateiro. Para melhores resultados, as pulverizações devem começar o quanto antes, assim que a praga for detetada.

Como o uso constante de inseticidas do mesmo grupo químico aumenta a resistência da praga, o mais recomendado é alternar. Destaca-se neste momento as substâncias ativas (s.a.) indoxacarbe e spinosade, que deverão ser utilizadas em alternância e dentro das limitações de cada produto, pelo que a leitura integral do rótulo é uma prática indispensável. Os fungicidas homologados para a cultura do tomate, podem ser consultados no site da DGAV: SIFITO- Sistema de Gestão das Autorizações de Produtos Fitofarmacêuticos - https://sifito.dgav.pt


Os produtos fitofarmacêuticos autorizados/homologados para a cultura do tomate, podem ser consultados no site da DGAV: SIFITO- Sistema de Gestão das Autorizações de Produtos Fitofarmacêuticos - https://sifito.dgav.pt

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